Conjunto Marumbi: como conquistar o pico mais difícil do Paraná

O Conjunto Marumbi é considerado a rota de montanha mais difícil do Paraná. Fica localizado na Serra do Mar e são nove montanhas que fazem parte do conjunto, sendo que o cume mais alto é o Olimpo, com 1.539 metros. Vou contar como foi a minha experiência de superação no Marumbi, junto com dicas para fazer as trilhas da montanha. Um relato de um carnaval fora da caixa de um casal caçador de aventuras.

Se você está em Morretes, você pode ir de carro até o primeiro posto do IAP, onde tem dois estacionamentos particulares por R$10,00, onde o pessoal que vai subir o Marumbi deixa os carros. A partir do IAP, não sobe mais carros, a não ser que você tenha um 4×4, aí poderá subir até a estação Eng. Lange. Chegamos as 5:30 da manhã no IAP, e como não tínhamos um 4×4, seguimos a pé por 4,5 km de subida até a estação Eng. Lange, chegamos na estação, viramos à direita, andamos por alguns metros nos trilhos e já vimos uma plaquinha indicando o caminho para a estação Marumbi.

Plaquinha para a Estação Marumbi

Andamos por mais 900 metros em uma estrada de pedra no meio na natureza até chegar à estação Marumbi. Lá tem área de camping, tem bastante gente que acampa e sobe bem cedinho a montanha. Fomos recepcionados pelo guarda florestal e demos nosso nome para poder subir a montanha.

Conjunto Marumbi: como conquistar o pico mais difícil do Paraná

Mapa do Conjunto Marumbi

Meu namorado e eu, subiríamos pela trilha branca até o Olímpio e desceríamos pela trilha noroeste ou vermelha, a trilha branca leva diretamente ao pico mais alto, é uma subida bem íngreme, e demora em média 3h a 4h:30, subimos em 3h:30. Decidimos descer pela vermelha, por superação, porque pela branca seria mais fácil, a vermelha é a trilha mais difícil e que dá acesso aos outros picos durante o caminho, que perderíamos se descêssemos direto pela branca, para voltar pela vermelha demoramos 5 horas. Vamos conferir como foi essa aventura?

O caminho é bem demarcado por sinais brancos no chão, pedras ou árvores. Quando a algum tipo de bifurcação duvidosa, sempre tem uma corda fina atravessada para não deixar passar pelo caminho errado, mas não confunda essas cordas pelas cordas instaladas para ajudar na subida/descida. Se você andar por mais de 50 metros sem ver uma marcação, retorne que você pegou algum caminho errado ou não prestou atenção suficiente, encontre a última marca e olhe ao seu redor. Choveu bastante no dia anterior e a trilha estava um pouco escorregadia, mas não o suficiente para ser interditada.

Com exceção do primeiro rio que fica no início da trilha branca, o único ponto para conseguir água é no final da trilha. Ou seja, leve pelo menos 2 litros de água por pessoa.

A partir da metade da trilha, você encontra muitos grampos, correntes e cordas que vão te auxiliar na subida até o topo sem precisar de equipamento de escalada. Você precisará subir por vários paredões de pedra muito altos, que pode ser um obstáculo para quem tem medo de altura.

  • Quer viajar para o exterior e não sabe nada de inglês? Ensino alguns truques e dicas no meu e-book gratuito de inglês para viagens e mostro como viajar para o exterior sem falar inglês. Clique aqui para baixar.

Chegamos ao cume exaustos e a visibilidade foi mínima, infelizmente, parecia que a montanha estava mergulhada em uma grande nuvem. O calor e a umidade eram intensos que parecia que estávamos em uma grande sauna natural. A falta de visibilidade é muito comum por causa do clima regional, especialmente nos meses mais quentes e chuvosos, já fomos sabendo disso e nos preparamos para talvez, não conseguir ver nada lá de cima, e tudo bem, o importante era completar, subir e chegar até o final.

No cume almoçamos, ficamos contemplando aquela imensidão por cima das nuvens, assinamos o livrinho que fica trancado em uma caixa no pico, descansamos e retornamos pela trilha vermelha, quem sabe a nebrina se dissipasse um pouco e poderíamos ver a vista dos outros picos.

A trilha vermelha não é brincadeira de criança não, não é coisa para principiantes. Exige muito condicionamento físico e esforço físico também. Eu esqueci a minha luva no carro e voltei com às mãos destruídas, uma dica: NÃO ESQUEÇAM AS LUVAS! Não façam como eu fiz, dói.

Está gostando desse artigo? 

Então curta a nossa página abaixo para ficar atualizado com mais dicas de viagem!  
 

É na descida onde acontecem a maioria dos acidentes, porque as pessoas estão mais cansadas. Vimos uma moça que quase caiu no precipício, por puro descuido, iam brincando um pouco a nossa frente, apostando algum tipo de corrida, e ela se desequilibrou e caiu, ficou agarrada por alguns matinhos e folhas que a salvaram de cair morro abaixo. Também ouvimos que 2 jovens não deram os nomes da entrada no IAP, e acamparam em lugar proibido próximo ao rio, estávamos com muitas bebidas, a chuva forte fez o rio subir e levou a barraca com eles dentro rio abaixo, um deles sobreviveu por muito pouco, conseguiu chegar até o IAP onde o corpo de bombeiros foi chamado, mas infelizmente para o outro jovem era tarde demais. Então não se descuide, respeite a montanha e a natureza.

Descemos em um ritmo tranquilo para não sobrecarregar os joelhos. Chegou um momento que o cansaço era tanto, que o corpo não obedecia mais. A dor nas mãos machucadas, nas pernas, na panturrilha e tive várias câimbras na descida, mas eu estava completamente em paz, com a mente tranquila. Eu já tinha feito algumas montanhas, mas nenhuma com esse grau de dificuldade e foi uma superação.

Quando cheguei no final da trilha deitei no grama e fiquei ali olhando o morro de longe e sabendo que eu estava lá em cima a algumas horas atrás. Foi incrível! O corpo doía inteiro, mas o coração estava em paz.

Depois de 5 horas de descida, ainda não tinha acabado. Retornamos ao IAP na estação Marumbi, para avisar que estávamos vivos hahaha mas ainda faltavam quase 6km até o estacionamento onde estava o carro. Fomos andando quase sem forças, jogando o corpo para frente, até que de repente começa a chover, uma chuva gelada e refrescante, nos últimos quilômetros, exatamente quando a gente mais precisava dela. Curou a dor no corpo, a dor nos pés, curou o cansaço, curou tudo e quando vi eu estava igual criança brincando na chuva, feliz da vida. Foi um momento muito gratificante.

Chegamos no carro encharcados e completamente realizados, montanhismo é uma pratica que eu recomendo a todos!

Confira abaixo o vídeo dessa minha aventura:

Gostou? Ficou alguma dúvida? Deixe nos comentários. Compartilhe para que mais pessoas vejam as belezas desse nosso Brasil.

Importante: Pensando em viajar? Não esqueça o Seguro Viagem!

Seguro viagem brasil 728x90

Leia também:

8 Comentários

  1. Nathalie Soares

    Oi Cheila, você lembra que horas chegou na IAP na volta?
    e vc disse que a trilha vermelha fizeram em 5 horas, foi com pressa ou deu para parar nos picos e tirar foto com calma?

    • Era umas 5 da tarde Nathalie. Fizemos a trilha com bastante calma tirando fotos em todos os pontos 🙂

  2. Parabens Cheila! Excelente o texto e muito bom o video, mostrando alguns dos desafios da montanha!

  3. BHW

    Hello fantastic blog! Does running a blog like this take a great deal of work?
    I have very little expertise in computer programming but I was hoping
    to start my own blog in the near future. Anyway, if you have any suggestions or
    tips for new blog owners please share. I understand this is off topic nevertheless I simply needed to ask.
    Thanks!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *